
deus tinha um hálito forte
o peito peludo
as mãos enrugadas
e sujeira debaixo das unhas
deus era pai
invadindo-lhe o quarto
naquelas madrugadas sem data
que a memória não soube apagar
deus gozava no seu rosto
apertava suas coxas
sussurrava ao seu ouvido
chamando-lhe de filha
(deus não existiu -
era uma farsa vestida de nunca mais
era um refúgio repleto de nojo
- um mundo desnudado de amor)
suas preces não foram atendidas
e seus gritos ocos, de tão mudos que eram
pelos olhos medrosos da mãe
sequer foram notados