sonhou o rio não ser de asfalto e estrelas aquelas luzes que à noite dos postes saltavam
[morreria encantado]
com mãos de pirilampos cabelos de rasga-mortalha e olhos de chuva sob um céu que não o deixaria só
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
imagem de garcía de la nuez
no fundo da alma guardava
naufrágios
que memória alguma saberia
resgatar
tinha braços e mãos fortes
embora
seus pés há muito estejam
cansados
silente nau de um mar
imaginário
velho faroleiro pelo tempo
abandonado
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
imagem de carlos goico
o velho rio que nos aninhava engolido foi por suas margens
e virou asfalto coisa sem vida e virou cemitério coisa sem fim
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
calados morremos e por nós os que ficam rezarão descrentes e sós
imagem de eduardo naranjo
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
crédula e senil
suas mãos eram preces
que deus algum escutara
sábado, 1 de novembro de 2008
há preces só ouvidas quando noite pirilampeada à beira do rio
há preces só atendidas quando criança enluarada no colo da mãe
imagem de oswaldo guayasamín
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
não escutava dos pais as preces nem o choro embalado pelo desespero apenas o murmúrio do rio em seus olhos soletrando à vida os dizeres precisos da morte
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imagem de eduardo naranjo
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
deixai-nos sós, ó pai
que das estrelas sabemos o medo
e dos homens esquecemos o penar
quarta-feira, 16 de julho de 2008
rezavam como seus avós um dia rezaram aprendiam segredos com o rio e sonhavam alumiar feito pirilampos pra que das estrelas pudessem trazer pedaços cadentes de sonhos
imagem de ramon hidalgo
domingo, 23 de março de 2008
o silêncio do céu são as rezas da chuva o barulho da chuva são os sonhos do céu
quando o céu silencia deságua preces a chuva e sonhamos
quando a chuva trovoa acalenta sonhos o céu e rezamos
imagem de eduardo naranjo
quarta-feira, 5 de março de 2008
pirilampos eram
noite infinda
mergulhados nos cânticos
que a mata coloria
sonhando ao luar
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
o céu daqui não deságua lamentos escuta do luar os segredos guarda dos anjos o medo serena dos homens o rancor para que as crianças possam sonhar
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
já não sorriam
as águas turvas do rio
secaram como se fossem memórias
sufocadas num velho baú
imagem de vrubel
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
no velho barquinho pra lá do meio do rio solitário relembrava os dias que estavam por vir
imagem de isaac liberato
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
nas margens do rio lamacento
que banha os sonhos do antigo vilarejo
há preces reluzindo sob o luar
domingo, 23 de setembro de 2007
pra giselle
uma casinha num canto do mundo onde possamos viver bem juntinhos amanhecendo estrelas sob a imensidão do céu aninhados por sonhos que sobrevivem ao fim
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
quando a chuva cai os murmúrios da terra despertam preces antigas demais para que alguém consiga escutar
imagem de yerka
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
saiu pouco antes da lua deixou os filhos a esposa os amigos dizendo que ia recolher estrelas e delas fazer uma cantiga amortalhada pra modo de os sonhos naquele pedaço esquecido do mundo nunca mais rarear
imagem de evelyn rivas
segunda-feira, 23 de julho de 2007
não há anjos que bastem não há preces que caibam quando chega a noite e as estrelas nos lembram do vazio que nos rumina por não mais sabermos