quarta-feira, 15 de julho de 2009

oramos à chuva
porque os anjos daqui
esqueceram a tristeza
que alimenta o luar

sábado, 2 de maio de 2009


imagem de rosangela pereira da silva

sonhou
o rio não ser de asfalto
e estrelas aquelas luzes
que à noite dos postes
saltavam

[morreria encantado]

com mãos de pirilampos
cabelos de rasga-mortalha
e olhos de chuva
sob um céu que não o deixaria

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

imagem de garcía de la nuez


no fundo da alma guardava
naufrágios
que memória alguma saberia
resgatar


tinha braços e mãos fortes
embora
seus pés há muito estejam
cansados


silente nau de um mar
imaginário
velho faroleiro pelo tempo
abandonado





quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

imagem de carlos goico



o velho rio
que nos aninhava
engolido foi
por suas margens

e virou asfalto
coisa sem vida
e virou cemitério
coisa sem fim



sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

calados morremos
e por nós os que ficam
rezarão
descrentes e sós


imagem de eduardo naranjo

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

crédula e senil
suas mãos eram preces
que deus algum escutara

sábado, 1 de novembro de 2008

há preces
só ouvidas quando noite
pirilampeada à beira do rio

há preces
só atendidas quando criança
enluarada no colo da mãe


imagem de oswaldo guayasamín

sexta-feira, 24 de outubro de 2008


não escutava dos pais as preces
nem o choro embalado pelo desespero
apenas o murmúrio do rio em seus olhos
soletrando à vida os dizeres precisos da morte
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imagem de eduardo naranjo

sexta-feira, 5 de setembro de 2008


deixai-nos sós, ó pai

que das estrelas sabemos o medo

e dos homens esquecemos o penar

quarta-feira, 16 de julho de 2008


rezavam como seus avós um dia rezaram
aprendiam segredos com o rio
e sonhavam alumiar feito pirilampos
pra que das estrelas pudessem trazer
pedaços cadentes de sonhos

imagem de ramon hidalgo

domingo, 23 de março de 2008




o silêncio do céu
são as rezas da chuva
o barulho da chuva
são os sonhos do céu

quando o céu silencia
deságua preces a chuva
e sonhamos

quando a chuva trovoa
acalenta sonhos o céu
e rezamos


imagem de eduardo naranjo

quarta-feira, 5 de março de 2008


pirilampos eram
noite infinda
mergulhados nos cânticos
que a mata coloria
sonhando ao luar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


o céu daqui não deságua lamentos
escuta do luar os segredos
guarda dos anjos o medo
serena dos homens o rancor
para que as crianças possam sonhar

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


já não sorriam

as águas turvas do rio

secaram como se fossem memórias

sufocadas num velho baú
imagem de vrubel

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

no velho barquinho
pra lá do meio do rio
solitário relembrava
os dias que estavam por vir



imagem de isaac liberato

quinta-feira, 25 de outubro de 2007


nas margens do rio lamacento

que banha os sonhos do antigo vilarejo

há preces reluzindo sob o luar










domingo, 23 de setembro de 2007


pra giselle


uma casinha num canto do mundo
onde possamos viver bem juntinhos
amanhecendo estrelas sob a imensidão do céu
aninhados por sonhos que sobrevivem ao fim

sexta-feira, 7 de setembro de 2007


quando a chuva cai
os murmúrios da terra
despertam preces
antigas demais
para que alguém consiga
escutar



imagem de yerka

segunda-feira, 13 de agosto de 2007


saiu pouco antes da lua
deixou os filhos a esposa os amigos
dizendo que ia recolher estrelas
e delas fazer uma cantiga amortalhada
pra modo de os sonhos
naquele pedaço esquecido do mundo
nunca mais rarear
imagem de evelyn rivas

segunda-feira, 23 de julho de 2007

não há anjos que bastem
não há preces que caibam
quando chega a noite
e as estrelas nos lembram
do vazio que nos rumina
por não mais sabermos
das canções o ninar