
segunda-feira, 2 de julho de 2007
sábado, 26 de maio de 2007
da série preces inominadas
acocorado diante da casavê a si mesmo criança
e rememora o pai-nosso
que não cessa de brotar
lágrimas vestindo solidão
a vida segue longa
sobre seus ombros
as amarguras do tempo
metrificam os fantasmas das perdas
esvaziando o sentido de estar ali
e quando o sonho chegar
estarão seus olhos
fechados
distantes demais
do alvorecer
terça-feira, 8 de maio de 2007
quinta-feira, 19 de abril de 2007
terça-feira, 3 de abril de 2007
domingo, 4 de março de 2007
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
ao claudio eugenio luz
sobrevivia às noites estreladas bem distante das ruas do seu vilarejo desde que ali chegou a luz vinda da cidade grande. seguia um ritual simples em seus gestos levando às mãos ao peito para sentir a angústia do coração enquanto fixava os olhos no horizonte para agarrar-se aos restos de fé e inventava dentro da cabeça crianças brincando junto aos pirilampos. era assim que rumava ao igarapé embrenhado lá no meio da mata para ouvir o coaxar encantado dos sapos fazer das preces que aprendera com a mãe um cadinho, na esperança de que deus se desocupasse dos homens e pudesse atender ao seu único pedido levando pra todo sempre aquelas luzes dali.
imagem de escher
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
domingo, 24 de dezembro de 2006
sábado, 9 de dezembro de 2006
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
sábado, 4 de novembro de 2006
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
terça-feira, 17 de outubro de 2006

deus tinha um hálito forte
o peito peludo
as mãos enrugadas
e sujeira debaixo das unhas
deus era pai
invadindo-lhe o quarto
naquelas madrugadas sem data
que a memória não soube apagar
deus gozava no seu rosto
apertava suas coxas
sussurrava ao seu ouvido
chamando-lhe de filha
(deus não existiu -
o peito peludo
as mãos enrugadas
e sujeira debaixo das unhas
deus era pai
invadindo-lhe o quarto
naquelas madrugadas sem data
que a memória não soube apagar
deus gozava no seu rosto
apertava suas coxas
sussurrava ao seu ouvido
chamando-lhe de filha
(deus não existiu -
era uma farsa vestida de nunca mais
era um refúgio repleto de nojo
- um mundo desnudado de amor)
suas preces não foram atendidas
e seus gritos ocos, de tão mudos que eram
e seus gritos ocos, de tão mudos que eram
pelos olhos medrosos da mãe
sequer foram notados
sábado, 7 de outubro de 2006
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