sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Aceitei o convite do Cláudio B. Carlos (CC), e agora escrevo aqui, em boa companhia:
http://donazicatabraba.wordpress.com/

sábado, 22 de outubro de 2011




a sede dos bichos à beira do rio

atormentava o que de lúcido restava naquele homem

velho sem nunca ter sido

à espera dos pássaros

que em revoada trariam de volta as crianças daquele 

lugar

imagem de cea

sábado, 7 de agosto de 2010

longe,
o que escutava eram lembranças
paisagens que o rio deixou para trás

sábado, 21 de novembro de 2009


aprendera com a chuva

serem as almas

estrelas cadentes que alcançam o mar
.
.
imagem de eduardo naranjo

quinta-feira, 30 de julho de 2009

imagem de sarah petruziello


dormem os mortos


às margens tuas


[presos ao silêncio]


dos que já não choram mais

quarta-feira, 15 de julho de 2009

oramos à chuva
porque os anjos daqui
esqueceram a tristeza
que alimenta o luar

sábado, 2 de maio de 2009


imagem de rosangela pereira da silva

sonhou
o rio não ser de asfalto
e estrelas aquelas luzes
que à noite dos postes
saltavam

[morreria encantado]

com mãos de pirilampos
cabelos de rasga-mortalha
e olhos de chuva
sob um céu que não o deixaria

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

imagem de garcía de la nuez


no fundo da alma guardava
naufrágios
que memória alguma saberia
resgatar


tinha braços e mãos fortes
embora
seus pés há muito estejam
cansados


silente nau de um mar
imaginário
velho faroleiro pelo tempo
abandonado





quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

imagem de carlos goico



o velho rio
que nos aninhava
engolido foi
por suas margens

e virou asfalto
coisa sem vida
e virou cemitério
coisa sem fim



sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

calados morremos
e por nós os que ficam
rezarão
descrentes e sós


imagem de eduardo naranjo

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

crédula e senil
suas mãos eram preces
que deus algum escutara

sábado, 1 de novembro de 2008

há preces
só ouvidas quando noite
pirilampeada à beira do rio

há preces
só atendidas quando criança
enluarada no colo da mãe


imagem de oswaldo guayasamín

sexta-feira, 24 de outubro de 2008


não escutava dos pais as preces
nem o choro embalado pelo desespero
apenas o murmúrio do rio em seus olhos
soletrando à vida os dizeres precisos da morte
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imagem de eduardo naranjo

sexta-feira, 5 de setembro de 2008


deixai-nos sós, ó pai

que das estrelas sabemos o medo

e dos homens esquecemos o penar

quarta-feira, 16 de julho de 2008


rezavam como seus avós um dia rezaram
aprendiam segredos com o rio
e sonhavam alumiar feito pirilampos
pra que das estrelas pudessem trazer
pedaços cadentes de sonhos

imagem de ramon hidalgo

domingo, 23 de março de 2008




o silêncio do céu
são as rezas da chuva
o barulho da chuva
são os sonhos do céu

quando o céu silencia
deságua preces a chuva
e sonhamos

quando a chuva trovoa
acalenta sonhos o céu
e rezamos


imagem de eduardo naranjo

quarta-feira, 5 de março de 2008


pirilampos eram
noite infinda
mergulhados nos cânticos
que a mata coloria
sonhando ao luar

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


o céu daqui não deságua lamentos
escuta do luar os segredos
guarda dos anjos o medo
serena dos homens o rancor
para que as crianças possam sonhar

terça-feira, 25 de dezembro de 2007


já não sorriam

as águas turvas do rio

secaram como se fossem memórias

sufocadas num velho baú
imagem de vrubel

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

no velho barquinho
pra lá do meio do rio
solitário relembrava
os dias que estavam por vir



imagem de isaac liberato